domingo, 15 de fevereiro de 2015

O DIA DA INVASÃO EXTRATERRESTRE

Imagem: Filme A guerra dos mundos
Fonte: http://cinemania01.blogspot.com.br/2013/04/critica-guerra-dos-mundos-de-steven.html





Nelson  Travnik


O problema da existência ou não de outros planetas habitados, sempre foi motivo de grande discussão. Desde tempos imemoriais, filósofos e homens de ciência dele se ocuparam. A partir da descoberta do primeiro planeta extrassolar em 1992 orbitando o pulsar PSR 1257, seguiram-se milhares de outros e hoje sabemos que não estamos sozinhos no universo, não somos uma civilização especial e muito menos centro da criação e privilegiados pelo grande arquiteto.


C L I M A    T E N S O

Transcorria o ano de 1938. O mundo particularmente a Europa e Estados Unidos vivia um clima tenso provocado pela ameaça de um novo conflito mundial. A Alemanha arruinada pelo Tratado de Versailles, ressurgia como potência tecnológica e militar pretendendo ocupação de mais territórios, o chamado “espaço vital”. Nos ares a presença imponente do dirigível Hindenburg com aquela enorme suástica, incomodava enormemente europeus e americanos. Como se não bastasse, a possibilidade de Marte abrigar vida inteligente, era algo que dividia a opinião dos astrônomos provocando a mais acirrada discussão da história da ciência. Se Marte era habitado, como seriam seus habitantes? Que grau de civilização estariam? Como sobreviviam em um planeta desértico com uma atmosfera extremamente rarefeita, submissos a receber doses letais de radiações solares e do espaço? E é justamente nos Estados Unidos que surge o maior defensor da presença de habitantes em Marte: Percival Lowell (1855-1916). Diplomata, homem rico, ele abandonou a carreira para construir um grande observatório, o seu “Castelo de Marte” nos altiplanos do norte do Arizona, Flagstaff, munido de uma grande luneta com objetiva de 61 cm de diâmetro. Dedicou sua fortuna e 15 anos de sua vida para estudar Marte. Desenhando centenas de canais, ele defendia a idéia que eram obra de engenharia dos seus habitantes para retirar água dos pólos na irrigação das áreas desérticas. Até certo ponto, a obstinação de Lowell era explicável: no século XIX, os canais eram de importância crucial para o comercio internacional e o maior deles, o de Suez, constituía uma marca da inteligência humana. Aqui mesmo no Brasil não estamos construindo um canal para levar água do rio São Francisco as regiões áridas do nordeste? Em um futuro longínquo talvez a escassez de água potável não nos leve também a construir uma rede de canais partindo dos pólos? Sendo válido este raciocínio, se os marcianos estariam em um grau avançado de civilização, aquele globo azul com abundante atmosfera e conseqüentemente muita água, não seria a solução para uma migração?


OS  MARCIANOS  INVADEM  A  TERRA

Sob um clima tenso já mencionado, na tarde de domingo 30 de outubro de 1938, a crença nos marcianos transformou-se em dura realidade para, pelo menos, 20 milhões de norte-americanos que ouviam através da Rádio CBS de Nova York, no programa Mercury Theatre, uma encenação da “A Guerra dos Mundos”, obra de ficção escrita em 1898 pelo romancista e escritor de ficção científica, Herbert George Wells (1866-1946). Através de boletins sucessivos, os ouvintes eram informados de que hordas incontroláveis de naves marcianas invadiam a Terra em atitude hostil. As forças armadas do nosso planeta requisitadas para repelir o invasor estavam sendo desmanteladas, destruídas e pulverizadas uma após a outra. Os marcianos, exóticos seres esverdeados de baixa estatura, haviam escolhido New Jersey para seu quartel general. Lançando feixes de raios vermelhos e verdes, as naves invasoras iam minando as defesas penetrando nas cidades e destruindo tudo a sua frente. A evacuação dos grandes centros processava-se como única alternativa. Antes do inicio do programa havia sido feita uma advertência de que o mesmo tratar-se-ia de uma encenação. Contudo muitos pegaram ‘o bonde andando’ e o resultado foi que durante os 45 minutos que durou o programa, a população de Nova York principalmente se envolveu de tal forma, que o pânico se apoderou de  mais de um milhão  de pessoas que saíram às ruas aterrorizadas com as ‘noticias’ que anunciavam uma invasão marciana e a destruição da cidade.  A evacuação da cidade por muitos que temiam ver um marciano em cada esquina, provocou um engarrafamento colossal.  O protagonista da brincadeira que gerou até suicídio e milhares de telefonemas à Rádio, era Orson Welles que se transformaria mais tarde em um dos mais consagrados cineastas que o mundo conheceu. Desnecessário dizer que após o programa, muitos foram a porta da Rádio que viu-se em sérios apuros para convencer seus ouvintes de que tudo não passava de uma encenação. Com medo de ser linchado, Orson Welles teve que sair por uma porta dos fundos! Muitos sentindo-se prejudicados, moveram processos contra a Radio que ao final saiu-se ilesa devido ao aviso feito antes do programa começar. Refeito o susto, todos puderam respirar aliviados. Mais tarde o tema viu-se transportado as telas sob o mesmo título: “A Guerra dos Mundos”, primeiro em 1953 e depois em 2005, este último sob a direção de S. Spielberg, ambos num estrondoso sucesso de bilheteria. 


Orson Welles ensaia pouco antes de transmitir por rádio a sua adaptação
de “A Guerra dos Mundos”, de H. G. Wells.
Nelson Travnik é astrônomo e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.

sábado, 17 de janeiro de 2015

RETORNO DAS ATIVIDADES




Hoje,dia 17/01/15, depois do recesso, o Observatório Astronômico de Piracicaba retoma as atividades.

Aproveitamos este período de recesso para manutenção de equipamentos, preparação de cursos e programação de eventos.
Atendimento:aos sábados das 19 às 22h (exceção em dias chuvosos).
Um ótimo 2015 a todos!

sábado, 3 de janeiro de 2015

ANO-NOVO: 2015 OU 2021?

Imagem: http://www.appsindicato.org.br/Include/Paginas/noticia.aspx?id=10892

                                Nelson  Travnik                   
 nelson-travnik@hotmail.com

Para a civilização cristã é mais um ano que passou. Em meio a festas,brindes  e  abraços,  em  algum momento  lhe  passou  pela  cabeça  queestamos comemorando o ano errado? Uma  pesquisa  histórica  nos  ensina   que  a  era  cristã  tem  inicio  no nascimento de Cristo cuja data verdadeira é desconhecida. A estimativa de datas em que se baseia o nosso calendário, foi feita durante a Idade Média por  um  monge  chamado  Dionisyus  Exiguus  e,  segundo  uma  série  de fontes, inclusive a Enciclopédia Católica, de fixar o ano 1 de nossa era em 753 A.U.C. (Ab Urba Condita), depois da fundação de Roma. Acontece que Dionisyus  utilizando  a  data  de  25  de  dezembro  do  ano  753 errou  nas contas por cerca de 4 anos e além disso não se deu conta de fixar o ano zero; ele apenas chamou o ano 752 de ano 1 antes de Cristo e o de 753 de ano 1 AD (Ano Domini ou Ano do Senhor).

A era cristã foi adotada pela Igreja em 532 por sugestão de Dionisyus que decidiu contar os anos a partir de 1º de janeiro em seguida ao nascimento de Cristo. Em 440 é que a Igreja decidiu que a data do nascimento de Cristo seria 25 de dezembro do calendário romano. Os cronologistas por sua  vez,  decidiram  retardar  sete  dias  o  inicio  da  era  cristã  para  que coincidisse com o inicio do ano 754 da fundação de Roma. Analisando fatos  históricos  ligados  a  Roma  e  Israel,  palco  dos  acontecimentos,  o cálculo  de  Dionisyus  carece  de  fundamento.  Isto  porque  se  Cristo houvesse nascido em 754 da fundação de Roma, Herodes já estaria morto há cinco anos  e os apóstolos Mateus e Lucas estariam mentindo. Sendo válido este  raciocínio,  estamos pois  brindando o ano de 2021 ou 2022 segundo o qual Cristo deve  ter nascido cerca de seis ou sete anos  que o registrado pelo calendário ocidental, considerando o erro maior cometido por Dionisyus.

Em seu livro “A Infância de Jesus”, editado em cinqüenta países, o papa Bento XVI diz que Maria deu à luz entre 7 e 6 a.C. o que vem corroborar o acima colocado.  Nosso calendário é Gregoriano que adveio do Juliano e este  por  sua  vez  dos  egípcios.  Ao  longo  dos  séculos,  as modificações introduzidas não teve  como corrigir as discrepâncias que ocorriam e a que para isto consultou o astrônomo napolitano Luigi Lilius (1510-1576) e depois  o matemático alemão Cristophorus Clavius (1537-1612). Mesmo com as  regras  estabelecidas  no calendário  gregoriano que utilizamos a partir de 1582, ele não é perfeito e apresenta  um excesso de 0,0003 dia sem relação ao ano trópico, ou seja, de 1,132 dias em quatro mil anos. Essa diferença pouco significa para a humanidade mas para a datação de fatos históricos, em astronomia, ciência espacial e cálculos  relativísticos, tal é inadmissível e para isso é que foram criados os relógios atômicos. São eles que controlam a diminuição da rotação do nosso planeta via marés e no fato  da  Lua  afastar-se  de  nós 3,5  a  4   centímetros  por  ano.  O  efeito acumulativo da diminuição da rotação da Terra cresce proporcionalmente não ao tempo, mas ao seu quadrado. Isso faz com que várias medições diárias com resolução de nanosegundo são realizadas contribuindo assim com o estabelecimento do Tempo Universal, UT.  Isso tem levado alguns organismos a pensar em um novo calendário,  mas por enquanto essas tentativas não vingaram e o calendário atual parece que vai permanecer por longo tempo.

Esses  cálculos  mostram  que  a  diminuição  da  rotação  da  Terra  se encarregará no futuro de se elaborar um novo calendário. Acredito que o calendário  deveria  ser  universal, segundo  cálculos astronômicos.  Como está  é  historicamente  arbitrário  e matematicamente errôneo. Quando brindamos um ano novo  significa que transcorreram 365 dias, 05 horas,48 minutos e 14 segundos. São essas voltas ao redor do Sol que ditam a nossa existência. Quanto anos  você tem? Ah, eu já dei tantas voltas  ao redor do Sol. Ninguém diz isso, mas poderia falar.

Nelson Travnik é astrônomo e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França. 

BRASILEIROS NA LUA?

Nelson Travnik

nelson-travnik@hotmail.com

Para o leigo, o título a primeira vista sugere que se trata de um astronauta brasileiro ir à Lua. No futuro isto irá acontecer mas por enquanto no espaço ficamos apenas com o Major Marcos C. Pontes que a bordo na nave russa Soyuz TMA-8, partiu em 30/03/2006 rumo a Estação Espacial Internacional, ISS, ali ficando até 8 de abril. Da ISS à Lua há um longo caminho... Mas não se trata de um astronauta ir a Lua mas sim, que em nosso satélite natural, grandes personalidades mundiais em diversas áreas do conhecimento, tem lá seus nomes perpetuados bem como nos planetas rochosos e alguns de seus satélites. Embora tenhamos no Brasil muitos nomes consagrados internacionalmente, até o presente há somente dois deles homenageados na Lua. O primeiro é Santos- Dumont, uma cratera com 8.7 km de diâmetro situada nas coordenadas selenográficas de 27.7° N e 4.8° E, na região dos Montes Apeninos, próxima por sinal ao local da alunissagem da Apollo 15. Ela foi batizada em 1976 na 16ª Reunião da União Astronômica Internacional, IAU, realizada na Austrália, por sugestão do astrônomo Luiz Muniz Barreto (1925-2006) então diretor do Observatório Nacional do Rio de Janeiro. Ele havia enviado cinco nomes de ilustres brasileiros para a IAU batizar crateras na Lua. Só conseguiu a de Santos-Dumont. A cratera está na face visível e é melhor observada com telescópios de porte médio no sétimo dia de lunação quando o terminador (círculo máximo que separa as regiões iluminadas das não iluminadas pelo Sol) coloca em evidência a formação. Há 18 anos, no dia 20/09/1996, ela foi por mim fotografada pela primeira vez no País no Observatório Astronômico de Piracicaba, SP, órgão da Secretaria Municipal de Educação através do refrator “Steinheil” 175/2625 mm com ampliação de 300 vezes. Antes disso, ela só existia desenhada ou fotografada em mapas lunares, mas sem denominação. Recentemente a cratera foi fotografada com grande definição pelo Observatório Lunar de Belo Horizonte, MG, por seu diretor Ricardo José Vaz Tolentino.



A outra cratera lunar com nome de um brasileiro é a De Moraes, alusiva ao astrônomo Abraão de Moraes (1916-1970), emérito diretor do Observatório Astronômico e Geofísico da USP. O nome foi aprovado pela IAU em 1979. A cratera de impacto com 3,5 km de profundidade e nas coordenadas selenográficas 49.38° N e 143° E, fica no lado oculto da Lua, portanto inacessível para nós. Com um diâmetro de 54.4 km possui ao lado duas crateras satélites batizadas de De Moraes S (diâmetro de 43.2 km) e De Moraes T (diâmetro de 46.8 km). O nome dessas crateras foram aprovadas pela IAU em 2006.


UMA  NOVA  CRATERA  BRASILEIRA?

É provável que mais um astrônomo brasileiro seja imortalizado no espaço. Trata-se de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão (1935-2014) conhecido como o “Flammarion Brasileiro”. Ele faleceu em 25 de junho deste ano (2014) no Rio de Janeiro, sua cidade natal. No Brasil é até a presente data o maior divulgador da astronomia. Escreveu mais de 65 livros e centenas de artigos em revistas e jornais. Seus trabalhos de pesquisa e descobertas são conhecidos internacionalmente bem como o estímulo e atenção que sempre dispensava aos astrônomos amadores. Nada mais justo que seu nome tenha sido lembrado para que seja perpetuado em uma cratera lunar ou marciana consoante proposta apresentada por mim em 9 de novembro último na Assembléia Final do 17º Encontro Nacional de Astronomia, celebrado na cidade de Maceió, AL. A proposta aprovada por unanimidade ficou de ser encaminhada pela Comissão Organizadora do 17º Encontro, a Sociedade Astronômica Brasileira, SAB, e esta, julgando válida, a encaminhará a União Astronômica Internacional, IAU,  para apreciação e aprovação. Será mais um brasileiro no espaço, imortalizando assim sua memória da qual os astrônomos e amantes da ciência do céu muito lhe devem.

Nelson Travnik é astrônomo, diretor do Observatório Astronômico de Piracicaba, SP, e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.


sábado, 20 de dezembro de 2014

ASTRÔNOMOS COMEMORAM O DIA NACIONAL DA ASTRONOMIA


Nelson Travnik
nelson-travnik@hotmail.com

A grata efeméride foi escolhida durante o 2º Encontro de Astronomia do Nordeste, celebrado em Recife/PE, de 30 de junho a 3 de julho de 1978, quando astrônomos aprovaram por unanimidade o título de “Patrono da Astronomia Brasileira” a D. Pedro II (1825-1891). A escolha do dia 2 de dezembro celebra a data de nascimento do imperador, tido como o mais erudito governante do País. A partir da escolha a efeméride ganhou força e a data passou a comemorar o Dia Nacional da Astronomia, o Dia do Astrônomo.


MOTIVOS


Foram muitos. Como astrônomo amador, modernizou o Imperial Observatório do Rio de Janeiro criado por seu pai, D. Pedro I, contratando astrônomos europeus de renome para aqui trabalhar. Tinha um quarto privativo no Observatório para descansar após horas de observação.
Instalou um observatório no telhado do Palácio Imperial de São Cristovão, hoje Museu Nacional, onde atendia alunos ministrando conhecimentos da ciência do céu. Mesmo sob forte oposição do Parlamento, concedeu verbas necessárias para três missões científicas para que os astrônomos pudessem observar a rara passagem do planeta Vênus pelo disco solar em 6/12/1882, fenômeno que iria se repetir somente em 8/6/2004. Os dados obtidos foram um sucesso permitindo calcular com precisão a distância Terra – Sol. Junto com o astrônomo Luiz Cruls, o imperador efetuou a primeira análise espectroscópica de um cometa e observou o eclipse solar de 1857. Mantinha contato com renomados astrônomos europeus dentre eles Camille Flammarion que o convidou para a inauguração do seu Observatório de Juvisy em 29/7/1887. Na ocasião D. Pedro II inaugurou a luneta de 24 cm, concedeu a Flammarion a ‘Ordem da Rosa’ e plantou uma árvore nos jardins do observatório que existe até hoje! Uma placa ao lado da árvore assinala o gesto do nosso imperador. Costumava dizer que se não fosse imperador gostaria de ser professor.  Acredita-se que tamanha devoção ao céu veio através do litógrafo e artista francês Louis Boulanger (1798-1874) e de Frei Pedro de Santa Mariana (1782-1864). D. Pedro II doou vários instrumentos seus ao Imperial Observatório e importou um círculo mural, uma pendula sideral, uma luneta meridiana e aparelhos magnéticos e meteorológicos. Mas faltava um telescópio de grande porte e ele foi encomendado na Inglaterra. Desgraçadamente o navio que transportava o instrumento chegou ao Rio justamente na ocasião da Proclamação da República e os republicanos não perderam tempo: mandaram o telescópio de volta! Em 1890, já no exílio, D. Pedro II foi homenageado com o nome do asteroide Brasília de número 293, descoberto no Observatório de Nice, França, pelo astrônomo A. Charlois (1864-1910). Sua devoção a astronomia certamente levou seu espírito muito além do asteróide, para junto das estrelas.



Nelson Travnik é diretor do Observatório Astronômico de Piracicaba, SP, e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França. 

sábado, 29 de novembro de 2014

A PARTICIPAÇÃO DO OBSERVATÓRIO ASTRONÔMICO DE PIRACICABA, OAP, SP, NO 17º ENCONTRO NACIONAL DE ASTRONOMIA – ENAST, MACEIÓ, AL, 7 A 9 DE NOVEMBRO DE 2014

Foto oficial do 17º ENASTAutor: James Solon/Astro PE
PARTICIPANTE: Nelson Travnik, diretor do OAP
LOCAL: Universidade Federal de Alagoas, UFAL, Cidade Universitária, Auditórios da Reitoria e do CIC

ATIVIDADES  DESENVOLVIDAS

ATIVIDADE 1 
Palestra Especial , Auditório da Reitoria, dia 7, 14h00 às 14h40
Tema: “45 Anos da Conquista Lunar e a Contribuição dos Astrônomos Brasileiros”.
Público Presente: aprox. 180 pessoas.
Publicação Distribuída : “A Importância da Observação do nosso Satélite - Missões Apollo : O que foi o Programa LION”

ATIVIDADE 2
Apresentação Oral, Auditório da Reitoria, dia 8,16h30 às 17h00
Tema: “Tributo a Ronaldo Rogério de Freitas Mourão – O Flammarion Brasileiro”.
Público Presente: aprox. 160 pessoas.

ATIVIDADE 3
Proposta  apresentada  pelo  participante  dia  9  às  11h30  à  Comissão Organizadora do 17º ENAST, e esta por sua vez submetida aos presentes, foi   aprovada por unanimidade, que seja encaminhada a Sociedade Brasileira de  Astronomia,  SAB,  o   pedido  para  que o  nome  “Mourão”  seja perpetuado em uma cratera  lunar  ou  marciana,  justa homenagem   ao astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, falecido em 25/06/2014. Uma vez a SAB julgue meritória a homenagem, o passo a seguir  será o encaminhamento do pedido a União Astronômica Internacional, IAU .

DESTAQUE  ESPECIAL 
1- Pelo seu trabalho incansável junto aos estudantes nas visitas escolares ao OAP, promovendo cursos em diferentes níveis, ampla divulgação de eventos astronômicos na imprensa local e da região, incentivo as  crianças e jovens para a importância da astronomia e a observação  do céu, elaboração de projetos educacionais e o estreito intercâmbio com entidades congêneres no País e exterior, a Comissão Organizadora   do 17º ENAST, após aprovação unânime, resolveu homenagear o astrônomo do OAP, Nelson Travnik com a Medalha e Placa de Prata “Ronaldo Rogério de Freitas Mourão”.
2= Um belíssimo quadro com a representação  artística  de  uma  galáxia, pintado pelo Prof. Adriano Aubert Silva Barros, Coordenador Geral  do 17º ENAST e diretor do Observatório Astronômico Genival Leite Lima, CECITE/SEE-AL, foi oferecido ao OAP . Em retribuição ao simpático gesto, ficou acertado que o Observatório do colega Adriano irá receber um Relógio de Sol confeccionado por Nelson Travnik.                                                                                   


                                                                                                    Piracicaba, novembro, 2014

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA: CÉU DA BANDEIRA ESTÁ EM DESACORDO COM A ASTRONOMIA

                             Bandeira do Brasil
                             Imagem:http://navegandonahistoria-costa.blogspot.com.br/2012/11/historia-do-brasil-dia-da-                              bandeira.html


Nelson  Travnik - nelson-travnik@hotmail.com


Como uma tarefa dos astrônomos foi parar nas mãos de um pintor por puro sentimento revanchista

No sábado, 15 de novembro, o País celebra 125 anos da Proclamação da República, após um golpe militar perpetrado contra o Imperador D. Pedro II.  Com isso impunha a substituição da bandeira do império por aquela introduzida em 1822. A nova Bandeira Nacional foi estabelecida através do Decreto nº 4 de 19/11/1889  redigido por Rui Barbosa e assinado por :Marechal  Deodoro  da  Fonseca,  chefe  do  Governo  Provisório,  Quintino Bocaiuva,  Aristides da Silveira Lobo,  Rui  Barbosa,  M. Ferraz de Campos Sales, Benjamin Constant Botelho de Magalhães e Eduardo Wandenkolk.


UM  CÉU  DE  PURÍSSIMO  AZUL

A Bandeira do Brasil  uma das mais belas e sugestivas,  é a única do mundo que representa grande parte do firmamento que envolve a Terra. É a mais completa ilustração já imaginada para uma bandeira nacional.  O círculo interno  em  azul corresponde  a  uma  visão  da  esfera  celeste  inclinada segundo a latitude do Rio de Janeiro às 08h30 do dia 15/11/1889, data e local da Proclamação da República. Nesta hora a constelação do Cruzeiro do  Sul  encontra-se  no  meridiano  do  Rio  de  Janeiro.  Como é  dia,obviamente o céu só seria visível se ocorresse nessa data um eclipse total do Sol. Qualquer carta celeste mostra isso bem como no dia 20 de maio às 20h00 a situação se repete. É só olhar o céu e conferir.


CÉU   ÀS   AVESSAS

O céu representado na Bandeira evidencia erros e falhas astronômicas. Aposição das estrelas não coincidem com as estampadas na Bandeira. Isto é mais evidente na constelação do Cruzeiro do Sul com a posição da estrela épsilon (popularmente conhecida como ‘intrometida’) e que representa o Estado  do  Espírito  Santo.  Está  invertida.  Veja numa  carta  celeste  ou compare com o Cruzeiro do Sul  estampado nas bandeiras da Austrália,Samoa Ocidental, Papua-Nova Guiné , Nova Zelândia ou se preferir, com acamisa do Cruzeiro de Belo Horizonte, MG.  Outro fato é que as estrelas não coincidem em suas posições e magnitudes aparentes.  É o caso da constelação  do  Escorpião  que  não  é  possível  verificar  quais  sejam  as estrelas tão erradas estão.  Por último temos o caso da faixa “Ordem e Progresso” que alguns afirmaram tratar-se do Equador Celeste ou outros da eclíptica, faixa zodiacal onde se deslocam o Sol, a Lua e os planetas com exclusão de Plutão que não é mais considerado planeta e os asteroides. Do ponto de vista da astronomia não pode ser nem uma nem outra. Para ser eclíptica a estrela Spica, alfa da constelação da Virgem e que representa o Estado do Pará, teria que ficar abaixo dela e a estrela beta do Escorpião(Maranhão) acima.


ERROS   GROSSEIROS   DE   ASTRONOMIA

É  difícil  conceber  que  astrônomos  do  então  Imperial  Observatório,denominado a seguir  para Observatório Nacional,  que estavam ali  bem pertinho, não tenham sido consultados para estabelecer corretamente as posições das estrelas e da faixa que corta o céu da Bandeira. A reação não se  fez  esperar.  Na  época,  Eurico  de  Góis  declarou que o  pintor  Décio Villares ao desenhar a Bandeira não interpretou corretamente o Decretonº 4 que exigia que as estrelas fossem dispostas na situação astronômica quanto a distância,  tamanho e brilho relativo. Em vez de adotar a representação do céu quese encontra nos atlas celestes, adotou o sistema dos globos. Como atribuira um pintor uma tarefa exclusivamente da competência dos astrônomos? Porventura  um  espírito revanchista  sabendo  que  o  Imperador  era astrônomo amador e que possuía até um quarto privativo no Observatório para  descansar  após  as  observações?  A  Lei  nº  5.443  de  28/05/1968 explica em seu artigo 3º, §1º, que as constelações do céu às 08h30 do dia 15/11/1889  devem ser consideradas como vistas por um observador fora da esfera celeste. Um céu portanto  só acessível  a um astronauta!  Na ocasião os legisladores procuraram amenizar  apresentando justificativas para convencer os leigos. Uma delas é que o céu representado na Bandeira é a imagem do firmamento que seria visto às 08h30 do dia 15/11/1889,portanto em pleno dia,  refletido nas  águas  da  baia  da  Guanabara!  A questão foi debatida nos jornais, na tribuna do Congresso e até o povo foi instado a opinar. Mas tudo ficou como estabelecido pelo pintor. Todos os erros astronômicos constam de dois livros : o primeiro de Eduardo Prado “A Bandeira Nacional”, publicado em 1903 pelo IBGE e o de Rubens de Azevedo “A Bandeira Nacional”, publicado em 1988 pela edições Tukano-Arte & Literatura.


O  QUE   FAZER ?

O  projeto  poderia  ser  alterado  no  inicio  com  a  tarefa  a  cargo  dos astrônomos  do Observatório  Nacional.  Fica  complicado  que  passados tantos  anos,  agora  que  estamos  solidários  com  a  Bandeira,  proceder modificações. O mais sensato é portanto deixá-la como está e consider arque tudo é simbólico e as estrelas nas constelações estão como se fossem atiradas ao acaso. “Cientes de que nada é perfeito, orgulhamo-nos de que nossa Bandeira contenha lineamentos fundamentais da cultura humana,segmentos  de nossa  história  e  projetos  permanentes  de  realizações futuras.  A  Bandeira  ai  está, mais  gloriosa  que  nunca”. (Raimundo  O. Coimbra) 

Nelson Travnik é diretor do Observatório Astronômico de Piracicaba, SP, e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.