sábado, 29 de fevereiro de 2020

ACERCA DO INFINITO, DO UNIVERSO E DOS MUNDOS

 
Por Nelson  Travnik*

Há 420 anos, no dia 9 de fevereiro de 1600, uma multidão se aglomerava no ‘Campo di Fiori’ (Campo de Flores) em Roma, para assistir mais um espetáculo de um herege condenado a ser queimado na fogueira pelo Tribunal da Santa Inquisição. Já era rotina em Roma e em vários países da Europa, a Igreja fazer das fogueiras, instrumentos de repressão e morte para condenados por bruxaria ou afrontar as “verdades” bíblicas e dogmas da Igreja. A turba inquieta e agitada aguardava as pilhas de lenha e gravetos serem acesas. Abre-se a porta e surge o condenado com um aparato de ferro cobrindo a boca ensanguentada, numa clara intenção dele não poder falar a multidão, o que poderia trazer desconforto para os juízes que o condenaram. Porém antes disso, exclamou aos que o cercavam : “Minha alma subirá ao Paraíso junto com a fumaça do meu corpo”. A Inquisição funcionou de 1450 a 1750 e estima-se que cerca de 60 mil vidas foram sacrificadas.
Quem era esse condenado, preso há 7 anos que incomodava tanto a Igreja e que, com a coragem dos heróis, não se retratou de suas idéias e convicções ? Era Giordano Bruno nascido em 1550 na pequena cidade italiana de Nola, perto de Nápoles. Seu nome de batismo era Felipe mais tarde mudado para Giordano quando vestiu o hábito de clérigo no Convento Napolitano de São Domingos. Depois de dez anos conventual,  doutorou-se em Teologia em 1575. Nesse período dedicou-se entre outras, a filosofia grega e a obra da teoria heliocêntrica – Sol no centro do Sistema Solar – do cônego Nicolau Copérnico, contrário a filosofia aristotélica tendo a Terra como centro do universo e obra maior da criação defendida pela Igreja. Em 5 de março de 1616, a obra foi considerada heresia e colocada no Índex dos livros proibidos. Giordano passou a admitir a pluralidade dos mundos habitados e a salvação do homem através de um relacionamento direto com Deus. Deixou claro que a verdadeira religião prescinde de formalismos, rituais e compromissos de filiar-se a esta ou aquela religião. O conjunto dessas ideias eram inconcebíveis e condenadas pela Igreja. Com isso, sua permanência no convento foi curta, afastando-se em face da perseguição e intolerância sectarista dos seus membros. Abandonou as vestes sacerdotais, foi processado por heresia mas conseguiu salvar-se fugindo para Roma. A partir daí, sua vida foi uma constante peregrinação pelo norte da Itália, Paris, Londres, outros países e indo para Genebra onde aderiu ao Calvinismo com permanência curta nessa nova corrente religiosa. Em maio de 1592 acabou por dar com os costados em Veneza, hospedando-se na casa de João Moncenigo que o traiu, foi preso e encaminhado ao Santo Oficio. De lá foi transferido para Roma onde passou 7 anos preso, submisso a  exaustivos interrogatórios , aos horrores da prisão e convivendo com gritos dilacerantes de pessoas torturadas.
Neste cenário, entre outras, o que mais incomodava a Igreja, era sua idéia da pluralidade dos mundos habitados. Possibilidade de existir outros mundos, outras formas de vida, outros pensamentos e outras crenças. Na Grécia já se pensava nisso e na Escola de Epícuro (341 -271) já se ensinava haver infinitos mundos parecidos com o nosso. O cardeal Nikolaus de Cusa   com anuência do papa Eugênio IV, sustentava a pluralidade dos mundos habitados. Fascinado pela imensidão do universo que a astronomia estava revelando e, que Deus, é imanente nesse universo infinito, escreveu o livro : “Acerca do Infinito, do Universo e dos Mundos”. Existe uma tradução portuguesa da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1978, do qual tenho um exemplar e onde está a relação das 38 obras de Giordano. Para a Igreja, nele configurava-se uma heresia praticamente indefensável . Giordano teve a coragem de sustentá-la abrindo as portas para infinitas possibilidades humanas como a ideia de vidas sucessivas como se vê em seu livro: “ Uma pessoa, quer esteja dentro ou fora do corpo, nunca se completa. Ela tem a oportunidade de experimentar a vida de muitas formas diferentes”. Sobre a pluralidade dos mundos habitados escreveu : “Existe apenas um espaço cósmico, uma imensidão única e vasta e nele existe uma infinidade de mundos como este que vivemos e desenvolvemos”.


Após o martírio de Giordano, o tema voltaria a baila em 1862 com a publicação do livro: “A Pluralidade dos Mundos Habitados” do astrônomo francês Camille Flammarion (1842-1925) provocando acirradas discussões. Com a descoberta dos exoplanetas, planetas girando ao redor das estrelas, essas discussões já perderam o sentido. Estimam-se que hajam muitos bilhões de planetas somente em nossa Via Láctea com  muitos deles na zona habitável podendo abrigar vida. Giordano Bruno e Camille Flammarion, são os últimos arautos da mais importante conquista da astronomia  e talvez da humanidade : não estamos sós no universo!

*Nelson Travnik é astrônomo, diretor do Observatório Astronômico de Piracicaba, SP, e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França. 

sábado, 4 de janeiro de 2020

TEMPO Os Calendários e porque 2020 é um ano Bissexto?


Em meio as festas e aos abraços de fim de ano, em algum momento passam pela cabeça da maioria das pessoas que estamos adentrando em um ano bissexto e comemorando o ano errado ?

Em fevereiro portanto, em vez dos usuais 28 dias teremos 29 constituindo portanto uma ótima oportunidade para os nascidos no dia 29 comemorarem o aniversário na data certa. Ao contrário que possa parecer, a introdução do ano bissexto surgiu em 238 a.C. em Alexandria no Egito durante a monarquia de Ptolomeu III (246 – 221 a.C.) que decretou a adição de um dia a cada quatro anos para compensar o excesso de seis horas na duração do ano de 365 dias. A raiz portanto do ano bissexto está no Egito. Isso nos reporta ao estabelecimento dos calendários calcados nos ciclos do Sol , da Lua ou na união de ambos. Ninguém hesitaria em dizer que o dia não tem 24 horas e o ano em 365 ou 366 dias, valores que estão impregnados em nossas vidas. Para a astronomia contudo, a rotação da Terra se efetua em 23h 56m 04s e essa diferença de 3m 56s mais longo é que determina o acréscimo de seis horas anuais que, ao fim de quatro anos, resulta em mais um dia. Quanto a duração do ano, observa-se que o ano solar ou ano trópico de 365d 05h 48m é definido como sendo o intervalo de tempo decorrido entre duas passagens consecutivas do Sol pelo chamado equinócio vernal, local em que o Sol cruza o equador celeste que é a projeção no espaço do equador terrestre. Para a astronomia, o que vale é o ano sideral com 365d 06h 09m que é definido como sendo o tempo gasto pelo Sol para retornar a mesma posição em relação as estrelas. No contexto pois desses valores, é evidente que a ausência de números inteiros, pares perfeitos, frações e números quebrados, constitui um problemão quando da elaboração de um calendário. A história registra mais de 40 calendários no mundo. Atualmente temos os solares, cristãos ; os lunares, islâmicos e os luni-solares, hebreus. Para eles esse será o ano 5780-81  que começou no pôr do Sol do domingo 29 de setembro de 2019. No calendário chinês o ano será de 1717 , Ano do Rato, que irá começar no sábado 25 de janeiro. No calendário islâmico o ano é 1441-2 que começou no sábado 31 de agosto de 2019. Muitos povos iniciaram a contagem do calendário a partir de uma grande revolução, conquista ou evento marcante. Os judeu e muçulmano adotam fatos históricos.

Herdamos um calendário egípcio que com o passar dos anos acusava um erro acumulativo fazendo com que novo calendário fosse introduzido pelo imperador Julius Caesar no ano -46 a.C. apoiado nos cálculos do astrônomo grego Sosígenes.  O Calendário Juliano mesmo produzindo um erro de aproximadamente 3 dias a cada 4 séculos, funcionou por mais de 16 séculos findo os quais constatou-se que as estações do ano não estavam acontecendo na época prevista. O equinócio da primavera no Hemisfério Norte caia por volta do dia 12 de março em vez do dia 21 ou 22 e isto estava causando enorme transtorno para a agricultura. Algo precisava ser feito e novo calendário foi instituído em 1582 através de uma bula do papa Gregorio XIII. Nele suprimiu-se 10 dias do Calendário Juliano passando o dia 5 de outubro proclamado para ser o dia 15. Outra mudança substancial foi feita : os anos bissextos que ocorriam rigorosamente a cada quatro anos, doravante só seriam bissextos os anos seculares divisíveis por 400.  Estava assim corrigido o erro dos 3 dias a cada 4 séculos produzido no Calendário Juliano. Mesmo assim, com essas mudanças, o Calendário Gregoriano que utilizamos não é perfeito pois apresenta um erro de um dia a cada 3323 anos. As tentativas de mudança para um novo calendário resultaram infrutíferas pelas razões cima abordadas. Para a humanidade, essa diferença pouco significa mas para a datação de fatos históricos, em astronomia, ciência espacial e cálculos relativísticos, tal é inadmissível. E para isso entra em cena os relógios atômicos. 

Um fato curioso é que apesar de separarmos o tempo histórico em duas fases, antes e depois de Cristo, não existe o ano zero ! A contagem dos anos a partir de um postulado sendo ano 1 do nascimento de Jesus não é correto pelas pesquisas arqueológicas e astronômicas recentes. Para o inicio da Era Cristã, Dionysius Exiguus, monge romeno que vivia em Roma no ano 525 d.C., cometeu um erro de computação em conseqüência da qual a nova era se iniciou com 5 anos de atraso em relação ao nascimento de Jesus Cristo que teria ocorrido no ano  7 a.C. Em seu livro “A Infância de Jesus’, o papa Bento XVI diz que Maria deu a luz entre os anos 7 e 6 a.C. o que concorda com os dados dos pesquisadores. Por fim, como tudo envolve o tempo, você já se perguntou o que é ele ? Nesse sentido, recordando o físico alemão Albert Einstein, “o tempo como é conhecido não passa de uma invenção”. Por conseguinte, pouco importa se estamos em 2020 , 2025 ou 2026.  

Nelson Travnik é astrônomo, diretor do Observatório Astronômico de Piracicaba e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.  

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

UM OLHAR REAL EM DIREÇÃO AO UNIVERSO

                                                                             Nelson  Travnik

Nesta segunda-feira, 2, astrônomos de todo País, estarão comemorando o Dia Nacional da Astronomia, o Dia do Astrônomo. A grata efeméride celebra a data de nascimento de D. Pedro II (1825-1891), o governante que mais fez pela astronomia no País. A escolha teve inicio em Recife, Pe, durante o 2º Encontro de Astronomia do Nordeste celebrado de 30 de junho a 2 de julho de 1978 quando, astrônomos por unanimidade, aplaudiram de pé a moção apresentada pelo Dr. Marijeso Alencar Benevides, Diretor de Relações Públicas da Sociedade Brasileira dos Amigos da Astronomia, concedendo a D. Pedro II, o título de Patrono da Astronomia Brasileira. A partir daí a escolha ganhou força e a data passou a comemorar o Dia Nacional da Astronomia, o Dia do Astrônomo oficialmente instituído mais  tarde pela Lei nº 13.556 de 12/12/2017.
A astronomia fascinava o Imperador que nela encontrou a noção do todo, do universo, não havendo limites para sua imaginação. Conhecia a fundo a ciência do céu. No telhado do Palácio Imperial da Quinta da Boa Vista inaugurado por D. João VI em 6/06/1818, mais tarde Museu Nacional quase destruído por um incêndio em 2/09/2018, tinha um observatório onde atendia alunos para ensinar a observar o céu. No Imperial Observatório criado por seu pai, D.Pedro I, tinha um quarto para descansar após horas de observação. Mantinha contato com grandes luminares da astronomia entre eles o francês Camille Flammarion (1842-1925) que o convidou para inaugurarem juntos o seu Observatório de Juvisy em 29/07/1887, algo  que ele aceitou e compareceu. Para o Imperial Observatório, contratou astrônomos de renome como o francês Emmanuel Liais (1826-1910) e o belga Ferdinand Cruls (1848-1902) além de importar modernos instrumentos e doar alguns seus. Isso possibilitou ao Imperador realizar inúmeras observações importantes dentre as quais se destacam a primeira análise espectroscópica de um cometa usando equipamentos fotográficos pela primeira vez ; observação de dois eclipses solares de 1858 e 1865 quando foi utilizada pela primeira vez em todo mundo a fotografia para fins astrométricos; a rara passagem de Vênus pelo disco solar em 06/12/1882 e a observação e estudo do cometa Finlay em 18/01/1887 quando estimou sua cauda em 50 graus como foi registrado na revista L’ Astronomie publicada pela Sociedade Astronômica da França no tomo de 1887, pag.114. Na passagem de Vênus pelo disco solar em 06/12/1882, mesmo sob forte oposição do Parlamento, concedeu as verbas necessárias para três missões científicas  observarem a passagem uma de Punta Arenas na Patagônia chilena , outra na ilha de Saint Thomas nas Antilhas e a terceira em Olinda, Pe. Em suas freqüentes visitas ao exterior, fazia questão de visitar alguns observatórios se inteirando com as pesquisas e progressos recentes. Acredita-se que sua devoção ao céu veio através do litógrafo francês Louis Boulanger (1798-1874) , de frei Pedro de Santa Mariana (1782-1864) e dos livros de Camille Flammarion. Era membro sob numero 85 da Sociedade Astronômica da França fundada por Camille Flammarion em 1887 , sócio da Academia de Ciências da França, membro da Royal Society de Londres, da Academia Imperial das Ciências de São Petersburgo, da de Moscou e membro do Instituto Histórico do Rio de Janeiro. D. Pedro II não foi um astrônomo profissional mas um astrônomo amador dos mais conceituados . Para o Imperial Observatório faltava um telescópio de grande porte e ele foi encomendado na Inglaterra pelo Imperador. Desgraçadamente o navio que o transportava chegou ao Rio de Janeiro justamente na ocasião da Proclamação da República e os republicanos não perderam tempo : mandaram o telescópio de volta ! Em 1890 já no exílio foi homenageado com o nome do asteróide Brasília de nº 291 descoberto no Observatório de Nice, França, pelo astrônomo A. Charlois (1864-1910). Em 1891 escreveu em seu diário : “Pensava na instalação de um observatório astronômico moldado nos mais modernos estabelecimentos desse gênero que poderia ser superior ao de Nice”. Sua devoção a ciência do céu certamente levou seu espírito para muito além do asteróide Brasília,  para junto das estrelas. 
Nelson Travnik é diretor do Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.

sábado, 21 de setembro de 2019

SEMANA NACIONAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA



Participação do Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum, OAPES , órgão da Secretaria Municipal de Educação,SME
PROGRAMAÇÃO
26 de Outubro de 2019
08:30 – Hasteamento do Pavilhão Nacional, do Estado de São Paulo e de
Piracicaba
08:45 – Inauguração da exposição : Maravilhas do Universo
As mais belas fotografias obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble
09:00 – Relógios de Sol , Laboratório a Céu Aberto
Visita aos 5 modelos de relógios de Sol com explicações
10:00 – Observação do Sol
Através de filtros especiais, pelo método de projeção e na raia do
H Alpha
11:00 -- Palestra :Nascimento, Vida e Morte do Sol
Nelson Travnik, astrônomo do OAPES
11:30 – Filme : A Conquista do Planeta Marte
14:00 -- Observações do Sol
Através de filtros especiais,pelo método de projeção e na raia do
H Alpha
15:00 -- Inicio das Sessões de Video
Documentários das mais abalizadas fontes
Explicações com o astrônomo Warner Beranger do OAPES
18:00 -- Telescópio, o grande olho da Humanidade
Explicações dos astrônomos sobre o funcionamento dos teles-
copios e os periféricos empregados

19:00 -- Palestra : Um pequeno passo para o Homem ; um salto gigantesco para a Humanidade
50 anos do Projeto Apollo e a Participação Brasileira no Progra-
ma LION da NASA – JPL
Nelson Travnik , astrônomo do OAPES
19:30 -- Palestra : 100 anos da comprovação da Teoria da RelatividadeGeral de Albert Einstein
Realizada no Brasil, em Sobral , Ce.
Sergio Mantelatto , astrônomo do OAPES
20:30 -- Observações dos astros em evidência
Utilizando os cinco telescópios do Observatório e os do Grupo
do Observatório.
22:00 -- Encerramento
Obs. Ocorrendo condições atmosféricas desfavoráveis (tempo chuvoso ou espessas nuvens), a programação observacional será cancelada, restando as demais programadas. O Observatório conta com amplo estacionamento. Entrada franca.
Maiores informações :
http://observatoriopiracicaba.blogspot.com.br


segunda-feira, 5 de agosto de 2019

A AERONAUTICA: DAS FLECHAS DE FOGO A APOLLO 11



Robert Hutchings Goddard e o primeiro voo de foguete propelido a combustível líquido (gasolina e oxigênio), lançado em 16 de março de 1926, em Auburn, em Massachusetts, nos EUA. Imagem - wikipedia
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Nelson Travnik
Ainda não se conhece a origem exata dos foguetes mas os chineses tendo inventado a pólvora, há indícios que os utilizaram em 1232 quando os mongóis sitiaram a cidade de Kai-Feng-Fu, capital de Honan. Os chineses usaram contra eles uma arma descrita como “flechas de fogo voadoras”. Serviram contudo mais para assustar que causar baixas. Os mongóis venceram e adotaram a tecnologia. Nos papirus egípcios e nos tijolos babilônicos, encontra-se menções a estranhas viagens a Lua e ao Sol. A primeira tentativa para alcançar o céu deve-se certamente ao mandarim Want-Fu o qual, centenas de anos antes de Cristo, mandou que atassem em seu trono várias cargas de foguetes e acendessem o estopim desaparecendo para sempre nas nuvens ... Passados longos anos, há indícios que na Europa foguetes foram usados contra o duque polonês Henry na batalha de Legnica em 1241. Oito anos mais tarde em 1249, há relatos que também os árabes usaram foguetes na península ibérica e que Valencia na Espanha foi atacada por foguetes em 1288. Por volta de 1668, o coronel alemão Christoph Friederich Von Geissler, projetou um foguete pesando 80 quilos e que carregava um explosivo de 10 quilos.
Foi somente a partir do século XVII que a humanidade conheceria os princípios teóricos do foguete graças ao físico inglês Isaac Newton (1642-1727). A sua 3ª Lei diz que “A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade”, que toda ação é acompanhada de uma reação em sentido contrário. O impulso de um foguete vem pois da reação exercida pelo jato expelido na combustão de gases. Essa força é chamada empuxo. Em 1810, a marinha inglesa usou foguetes desenvolvidos por Willian Congreve (1772-1828) contra Napoleão Bonaparte (1769-1821). Foguetes viram-se assim usados em campanhas militares nos séculos 18 e 19 similares ao tipo desenvolvido por Congreve.
No século XX, enquanto os irmãos Whright nos EUA e Santos-Dumont em Paris desafiavam a gravidade, o russo Konstantin E. Tsiolkovsky (1857-1935) em seus livros “Um Trem Cósmico de Foguetes” (1929) e “Sobre a Lua”, (1935), analisou com detalhes o funcionamento de um foguete de múltiplos estágios para escapar o campo gravitacional da Terra e alcançar a Lua. Notável previsão que seria adotada mais tarde por Wernher Magnus Maximilian Von Braun (1912-1977) em seu foguete Saturno V . Em 1915, ele concebeu um motor que usava hidrogênio e oxigênio líquidos como propelente. O “Pai da Astronáutica” como é conhecido, não deixou nenhum trabalho experimental. Em 1920, o americano Robert Goddard (1882-1945) estuda a propulsão por meio de foguetes e passa a utilizar o uso de combustível líquido. Em 16/03/1926, realizou o lançamento de foguetes movidos a gasolina e oxigênio. Com a publicação do seu trabalho, “O Foguete no Espaço Planetário”, incentivou pessoas de todo o mundo a se interessar no estudo da astronáutica.
E Von Braun foi um deles. Apaixona-se pelas viagens espaciais tornando-se membro da “Verein für Raumschiffahrt”, Sociedade para Viagens Espaciais, criada em 1923 por Hermann Julius Oberth (1894-1989). Em 1930 ela realiza o lançamento de um foguete com combustível líquido. Sua vertiginosa carreira aproxima-se mais tarde na base de foguetes em Peenemünde do também experto em foguetes, general alemão Walter Robert Dornberger (1895-1980) com quem trava amizade e permitem que, juntos a Hermann J. Oberth e o austríaco Eugen Sänger (1905-1964), obtenham sucesso com o lançamento do foguete V-2 ( V de Vergeltung-Vingança). O V-2 acelerava a 5.760 km/h e chegava a 110 km de altitude sendo assim, o primeiro veículo espacial da história. Apesar da destinação bélica do foguete, esses cientistas avançaram no tempo e sonhavam com seu emprego em viagens espaciais. Terminada a guerra, Hermann J. Oberth e Eugen Sänger foram para a Alemanha dominada pelos aliados enquanto Von Braun se rendia a 44ª Divisão de Infantaria dos EUA levando consigo 1500 técnicos e 14 toneladas de papeis . Em Peenemünde os americanos conseguiram capturar uma centena de V-2 quase intactos. Von Braun foi “castigado” com um “empregão” na NASA. Mais tarde Hermann J. Oberth se uniu a Von Braun criando juntos vários mísseis. Em 1957 Von Braun é chamado para chefiar o lançamento do satélite artificial Explorer 1 que ocorreu em 31/01/1958. Na noite de 25/05/1961, o presidente americano John Kennedy perante uma sessão conjunta do Congresso americano em Washington D.C., anuncia que até o final daquela década, os americanos levariam o homem a Lua e o trariam de volta. A partir daí, Von Braun passou a projetar com sua equipe o gigantesco foguete Saturno V que colocaria o primeiro homem na Lua.
Na corrida espacial entre russos e americanos, não houve perdedores. A humanidade foi a grande vencedora.
Nelson Travnik, é astrônomo, diretor do Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum,Membro Titular da Sociedade Astronômica da França e LION Observer credenciado pela NASA NAS MISSÕES Apollo.

sábado, 29 de junho de 2019

COM EXPOSIÇÃO, OBSERVATÓRIO LEMBRA CONQUISTA DA LUA


Imagem: wikipedia
Observatório inaugura nesse sábado, 29, exposição alusiva aos 50 anos da chegada do homem a Lua. Poderá ser vista até 27 de julho.
O Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum, órgão da Secretaria Municipal de Educação, está inaugurando nesse sábado, uma exposição alusiva aos 50 anos da conquista lunar ocorrida em 20 de julho de 1969. Ela estará aberta até 27 de julho. Além da exposição, acontecerão sessões de vídeo sobre o programa espacial americano que culminou com o pouso do módulo lunar “Águia” da Apollo 11 no Mar da Tranqüilidade. Na época, o responsável pelo Observatório, Nelson Travnik , trabalhando no Observatório Astronômico Flammarion de Matias Barbosa, MG, foi um dos credenciados pela NASA-JPL-SMITHSONIAN INSTITUTION, para efetuar no Brasil observações intensivas da Lua durante as missões Apollo 8, 9 10 , 11 , 12 e 13 no contexto do Programa LION , ‘Lunar International Observers Network’, que no Brasil foi coordenado pelo astrônomo chefe do Observatório Nacional do Rio de Janeiro, Dr. Ronaldo Rogério de Freitas Mourão. O Programa foi criado tendo em vista certos fenômenos que aconteciam na superfície lunar que não tinham uma explicação satisfatória e poderiam representar algum perigo na hora da alunissagem. A exposição além de documentos da época, revistas, fotografias e sessões de vídeo, conta ainda com uma curiosidade : a cópia da nota fiscal alusiva a remessa de 100 recipientes de ½ L da água mineral da Fonte São Sebastião de Lindóia, SP, selecionada pela NASA para uso dos astronautas da Apollo 11. Na decisão da NASA pesou muito a visita a essa cidade feita pela celebre madame Curie e sua filha Iréne em 1926 que atestou a qualidade excepcional de radioatividade da água, poder diurético e sais minerais.
O Observatório abre para visitação pública todos os sábados das 18:30 ás 21:30 . Não é necessário agendamento, a entrada é franca, não há limite de idade e há amplo estacionamento. Maiores informações pelo telef. 19-3413.099.Informações : http://observatoriopiracicaba.blogspot.com.br

quarta-feira, 22 de maio de 2019

O HOMEM FOI REALMENTE A LUA?

Imagem: Wikipedia

Nelson Travnik
No próximo dia 20 de julho, o mundo estará lembrando 50 anos do memorável vôo da Apollo 11. Por mais inverossímil que possa parecer e em que pese as publicações científicas com os resultados das análises das rochas trazidas pelos astronautas num total de 392,4 quilos, e das fotografias e imagens transmitidas ao vivo na primeira transmissão internacional da TV via satélite, algumas pessoas colocam em duvida se realmente o homem esteve na Lua. É bom lembrar que as rochas lunares são fortemente impregnadas por todo tipo de radiações que vem do espaço e atingem inclemente sua desprotegida superfície o que não acontece com a Terra. Os astrônomos que atendem milhares de pessoas nos observatórios e planetários, as vezes são surpreendidos por essas perguntas. O assunto aparece as vezes nos meios de comunicação uma vez que o fantástico sempre atrai mais e rende significativos dividendos.
Nota-se que é algo predominantemente de pessoas mal informadas ou tomadas por misticismo como a Lua sendo algo do domínio divino, não permitindo ser “invadida” pelos humanos pecadores. Sendo assim, colocam em duvida as alunissagens das Apollos 11, 12 , 14 , 15 , 16 e 17 como sendo uma encenação montada pela NASA ao estilo de Hollywood.
Outros há que, embevecidos pelos êxitos espaciais da ex-União Soviética sempre à frente dos americanos, não se conformam que os Estados Unidos tenham vencido a corrida espacial de colocar o primeiro homem na Lua. Entorpecidos pela ideologia marxista, relutam em admitir o óbvio. Os soviéticos, prevendo a glória americana, haviam lançado dias antes da Apollo 11, uma nave sem tripulantes, a Lunik 15, para recolher amostras do solo lunar e retornar a Terra. Mas a máquina não conseguiu superar o homem e se espatifou sem controle na superfície da Lua, horas depois do pouso perfeito do módulo ‘Aguia’ pilotado por Neil Armstrong e Edwin Aldrin. Tenho um livro em língua alemã com 278 páginas do escritor Gernot L. Geise, editora EFRON sob o título “Der Grösste Betrug des Jahrhunderts ?”, “A Grande Fraude do Século ?”, que em dezenas de analise de fotográficas, dados e informações divulgadas pela NASA, questiona o feito e aponta erros nas fotografias colocando duvidas sobre sua veracidade.
Pelo visto, após 50 anos, parece que o fato do homem ter pisado o solo lunar ainda não foi aceito nem compreendido por uma ínfima parte da população. É lícito lembrar que 420 mil pessoas trabalharam pesado, 20 mil empresas ajudaram a NASA para conseguir os 24,5 bilhões de dólares necessários para o projeto Apollo e tudo isso para culminar numa encenação ? Algumas pessoas até hoje colocam em duvida a presença do homem na Lua em razão de algumas questões que levantam como : Aquela imagem de Neil Armstrong descendo do modulo lunar ‘Águia’ como primeiro ser humano a descer em nosso satélite foi tirada por quem ? Aquela bandeira americana parecendo tremular seria possível na Lua ? As pegadas dos astronautas no solo lunar só poderiam ser feitas em solo úmido e como na Lua ele não existe,como aparecem nas fotos ? O homem foi realmente a Lua ou não passou de uma filmagem feita em algum estúdio nos Estados Unidos ? Em primeiro lugar, quem está descendo do modulo lunar ‘Águia’ não é N. Armstrong e sim E. Aldrin fotografado pelo primeiro. A distância do traje espacial com a viseira não distingue quem é quem. Portanto Aldrin é que aparece na fotografia. Quanto a bandeira, é impossível ela tremular porque não existe atmosfera na Lua para que isso pudesse acontecer. O que dá a impressão de tremular são simplesmente dobras que se vê na montagem feita pelos astronautas ao desembrulharem a bandeira. Não existe solo úmido na Lua e as pegadas são produto de uma superfície onde tem muita poeira. Por último, o homem não somente foi a Lua como levaram um veículo lunar nas missões Apollo 16 e 17. Ademais, pedaços de rochas lunares foram distribuídas em universidades americanas e algumas no exterior. No Brasil, a UFRGS foi contemplada com um pedaço.
A comprovação final que o homem esteve na Lua foi feita pelas fotografias obtidas pela sonda “Lunar Reconnaissance Orbiter Camera LROC da NASA-JPL” no período de 10 a 15 de junho 2009, que fotografou todos os seis módulos deixados na superfície lunar pelos astronautas nas missões Apollo 11, 12, 14 , 15 , 16 , e 17. Acredito que em breve outras sondas também irão fotografar as pegadas dos astronautas uma vez que, a bandeira recentemente foi fotografada. Quando isso acontecer, espero que não surjam pessoas para dizer que as pegadas são de algum alienígena ou de um espírito materializado.
Nelson Travnik é diretor do Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.