quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

CALENDÁRIO - ANO NOVO: 2016 OU 2022 ?

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Nelson Travnik
nelson-travnik@hotmail.com
O ano de 2015 chegou ao fim porque aqui no Ocidente o tempo é baseado no calendário solar que é medido pelo tempo gasto pela Terra para completar uma volta ao redor do Sol. Enquanto a maioria das pessoas acredita estar em 2016, historiadores e astrônomos contestam e esclarecem a disparidade existente no calendário e na ordem das datas estabelecidas. Esses detalhes e acontecimentos embora não venham possuir importância no âmbito pessoal, para a história e a ciência são relevantes.

Uma pesquisa histórica nos ensina que a era cristã tem inicio no nascimento de Cristo cuja data verdadeira é desconhecida. A estimativa de datas em que se baseia nosso calendário, foi feita durante a Idade Média por um monge chamado Dionisyus Exiguus, O Pequeno, que vivia em Roma no ano 525 e, segundo uma serie de fontes, inclusive a Enciclopédia Católica, de fixar o ano 1 de nossa era em 753 A.U.C. (Ab Urba Condita), depois da fundação de Roma (a história de Roma abrange um período de 1229 anos, de 753 a.C. a 476 d.C. ) . Acontece que Dionisyus utilizando a data de 25 de dezembro do ano 753 errou nas contas por cerca de 4 anos e além disso não se deu conta de fixar o ano zero; ele apenas chamou o ano de 752 de ano 1 antes de Cristo e o de 753 de ano 1 AD (Ano Domini ou  Ano do Senhor). Para alguns estudiosos, acontecimentos ligados ao nascimento de Cristo tiveram lugar em 754.

A era Cristã foi adotada pela Igreja em 532 por sugestão de Dionisyus que decidiu contar os anos a partir de 1º de janeiro em seguida ao nascimento de Cristo. Nessa época a idéia do zero era desconhecida. Em 440 é que a Igreja decidiu que a data do nascimento de Cristo seria 25 de dezembro do calendário romano. Os cronologistas por sua vez, decidiram retardar sete dias o inicio da era Cristã para que coincidisse com o inicio do ano 754 da fundação de Roma. Analisando fatos históricos ligados a Roma e Israel, palco dos acontecimentos, o cálculo de Dionisyus carece de fundamento. Isso porque se Cristo houvesse nascido em 754 da fundação de Roma, Herodes já estaria morto há cinco anos e os apóstolos Mateus e Lucas estariam mentindo. Sendo válido este raciocínio , estamos pois brindando o ano de 2022 ou 2023 segundo o qual Cristo deve ter nascido cerca de seis ou sete anos que o registrado no calendário ocidental, considerando o erro maior cometido por Dionisyus.

Em seu livro “A Infância de Jesus”, o papa Bento XVI diz que Maria deu à luz entre 7 e 6 a.C. o que vem corroborar o acima colocado. Nosso calendário é Gregoriano que adveio do Juliano e este por sua vez dos egípcios. Ao longo dos séculos, as modificações introduzidas não teve como corrigir as discrepâncias que ocorriam e a solução foi a introdução de um novo calendário em 24/02/1582 pelo papa Gregório XIII através da bula “Intergravissimas” . Para isto ele consultou o astrônomo napolitano Luigi Lilius (1510-1576) e depois o jesuíta,matemático e astrônomo alemão Cristophorus Clavius (1537-1612). Para ajustar a diferença existente, foram necessários diminuir 11 dias ao ano 1582. A quinta-feira 04 de outubro passou para a sexta-feira dia 15.   Mesmo com as regras estabelecidas no calendário gregoriano que utilizamos a partir de 1582, ele não é perfeito e apresenta um excesso de 0,0003 dias em relação ao ano trópico, ou seja, de 1,132 dias em quatro mil anos. Traduzindo em segundos para melhor compreensão, o ano gregoriano que utilizamos tem 31.556.952 s e a exata translação da Terra ao redor do Sol é de 31.556.925 s. Daí sobrevém o excesso acima colocado. Por isso, não vale a pena encetar uma reforma no calendário para introduzir a fração de segundo, pois a atual diminuição da rotação da Terra já dará conta disso.

Entretanto se essa ínfima diferença pouco significa para a humanidade,  para a datação de fatos históricos, em astronomia, ciência espacial e cálculos relativísticos, tal é inadmissível e para isso é que foram criados os relógios atômicos. São eles que controlam a diminuição da rotação do nosso planeta via marés e no fato da Lua afastar-se de nós 3,5 a 4 centímetros por ano. O efeito acumulativo da diminuição da rotação da Terra cresce proporcionalmente não ao tempo mas ao seu quadrado. Pesquisas indicam que há 900 milhões de anos o dia durava apenas 18 horas e o ano tinha 480 dias. Isso faz com que várias medições diárias são realizadas com resolução de nanosegundo.

O calendário é pois um conjunto de regras baseadas na astronomia e através dela é que qualquer iniciativa terá que se apoiar.  O calendário deveria ser universal, segundo cálculos astronômicos pois como está é historicamente arbitrário e matematicamente errôneo.


Nelson Travnik, é astrônomo e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França. 

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Sinais no céu MAGOS NÃO FORAM ATRÁS DE UMA ESTRELA

                                                                                                Nelson Travnik
                                                                                                                nelson-travnik@hotmail.com



Todos os anos não há quem fique indiferente diante da beleza do presépio iluminado por uma estrela ou um cometa. O Natal é sempre um momento mágico para a cristandade. No presépio são vistos três Magos vindos do Oriente. De passagem por Jerusalém teriam perguntado: “Onde está o rei dos judeus recém-nascido? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos homenageá-lo”. Assim começa o capítulo dois do Evangelho segundo Mateus. Era essa a informação que os Magos, sacerdotes do zoroatrismo, religião devida a Zoroastro que viveu no século VII a.C. e cuja bíblia é o Zend Avesta, possuíam. Um evento celeste indicava o nascimento de um líder daquele povo, cujos ancestrais viveram na Babilônia e lá deixaram marcas importantes do seu monoteísmo antes de voltarem para Canaã e codificarem suas leis. A partir deste relato, muitas teorias têm sido propostas para identificar a real natureza daquele evento cósmico. Para que um astro pudesse impressionar as pessoas só poderiam ser um cometa brilhante, uma estrela nova ou supernova, um alinhamento planetário, raras conjunções muito próximas entre planetas e estrelas e mesmo a tese que nenhum fenômeno celeste tenha de fato acontecido. Pesquisas modernas através de computadores de última geração aliados a representação do céu daquela época no Planetário, apontam para uma raríssima conjunção tríplice entre Júpiter e Saturno na constelação de Peixes. Essas conjunções ocorrem quando ambos estão em oposição ao Sol e devido ao movimento combinado, faz com que Júpiter cruze com Saturno três vezes. Utilizando o método computacional, a conjunção foi vista em 1940, 1980 e irá ocorrer novamente em 2238 e 2279. Tendo em vista que o fenômeno ocorreu em 29 de maio, 1º de outubro e 4 de dezembro do ano 7 a.C. na constelação de Peixes, é importante lembrar que esta constelação simbolizava tradicionalmente o cristianismo, dois peixes, um em cima do outro em sentido opostos. Cálculos mostram outrossim que a mudança equinocial de Áries (Carneiro) para Peixes ocorreu no ano 54 a.C. Essa conjunção tríplice foi excepcional, comprovada pelos computadores da NASA, dotados de um software especialmente criado para perscrutar como as estrelas e planetas se comportaram àquela época longínqua. A pesquisa mostrou os dois planetas muito próximos um ao outro, provavelmente menos de 0,5 graus e que, somados os brilhos, naturalmente chamou a atenção dos Magos. Não somente a constelação de Peixes e o brilho dos planetas, acrescente-se o significado de Júpiter, poder e Saturno, realeza. Como sabemos, a estirpe de Jesus era da casa de Davi. Não existe nos evangelhos uma data precisa para o nascimento de Jesus. A única referência sobre a “estrela de Belém” é do evangelho de Mateus escrito em aramaico e que não chegou até nós, pois se extraviou no ano 70 d. C. O certo é que na região em que Jesus nasceu o frio é intenso em dezembro, janeiro e fevereiro e, por conseguinte, imprópria para que os pastores permanecessem no campo com seus rebanhos. A data de 4 de dezembro deve ser, portanto, descartada e com isto a data de 1º de outubro ou próxima dela merece ser considerada. Como sabemos, impossibilitada de precisar a data, a Igreja para se impor aos adeptos do mitraismo, culto pagão a Mitras, o deus de luz dos persas e que era a mais popular festa romana pagã, colocou o Natal em 25 de dezembro substituindo assim as Saturnais comemorando o “Natalis Solis Invicti” – Nascimento do invencível deus Sol – por uma grande festa cristã. Alguns estudiosos acreditam que o nascimento ocorreu no dia 12 de novembro quando a constelação de Peixes estava sob o horizonte sudeste de Belém com Júpiter e Saturno em magnífica conjunção. A história nos diz que o reinado de Herodes, o Grande, na Judéia, estendeu-se entre os anos 37 a.C. até 4 a.C. como da sua morte em abril/maio. Isto coloca a conjunção tríplice nos últimos anos do seu reinado. Trata-se, pois, de um fenômeno celeste notável, de grande significado astronômico e místico para os Magos e que bem poderia representar uma peregrinação de Leste para Oeste. E que não eram reis e sim sacerdotes do zoroatrismo, sábios observadores do céu e muito conceituados entre os medas e persas. Foi um escritor inglês chamado Beda que em 673 os batizou de Gaspar, Melchior e Baltazar. A tradição da Igreja considera três por terem sido três os presentes dados ao recém-nascido: incenso, ouro e mirra, uma resina aromática. Note-se que as igrejas síria e armênia falam em doze. Sejam estas ou outras hipóteses, é praticamente impossível determinar com precisão a data de um fato ocorrido há mais de dois milênios. Seria um transtorno geral, ou mesmo universal, se tivéssemos de comemorar o Natal não em dezembro, mas em outra época conforme as pesquisas feitas. O importante é que um fenômeno astronômico extraordinário marcou indelevelmente a maior data da cristandade, tão relevante que dividiu a história em antes e depois de Cristo.


Nelson Travnik é astrônomo e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

FINADOS - MOMENTOS DE REFLEXÃO E PRESENÇA DA ASTRONOMIA

Nelson  Travnik
nelson-travnik@hotmail.com


No próximo dia 2, é o momento de reverenciarmos nossos familiares e amigos que partiram para um outro plano. Saudades, lembranças, preces e instantes de reflexão. A palavra cemitério vem do grego ‘koimeterion’ e significa ‘lugar onde dormir’. Em meio a jazigos ricamente construídos, deparamos com alguns extremamente simples contendo belíssimas frases e mensagens afetivas expressando o sentimento dos familiares. “Fui quem tu és, serás como eu sou” é a frase que está no portal de um cemitério em Minas e que nos leva a refletir sobre a efemeridade da vida. Ver que somente a moralidade de nossas ações perpetua e confere beleza e dignidade a nossa existência.


OS  MARCADORES  DO  TEMPO

O tempo determina inexoravelmente a duração da nossa existência e o mais antigo instrumento concebido pelo homem para medir isto é o relógio do Sol. A partir de uma simples estaca no chão, os relógios do Sol evoluíram em formas e tamanhos objetivando determinar a hora e com isto as estações do ano e o calendário com a maior precisão possível. De extraordinário valor pedagógico , histórico, cultural e turístico, eles se encontram nas mais variadas formas em praças, escolas, paredes de prédios, igrejas, conventos, mosteiros, fazendas antigas e estações de trem. No Brasil o mais antigo fica na parede da igreja de São Francisco Xavier em Niterói, fundada pelo padre José de Anchieta em 1572. Outro antigo e bonito exemplar encontra-se em Tiradentes, MG, instalado em 1712 em frente a igreja de Santo Antonio. No País já foram catalogados mais de 200 desses aparelhos. Esse levantamento foi realizado pelo Clube de Astronomia do Rio de Janeiro, CARJ. O existente na Praça Nossa Senhora da Conceição em Franca, SP, construído pelo frei Germano d’ Annecy em 1886, é considerado o mais bonito. De várias faces, foi construído com mármore de carrara.


RELÓGIOS  DO  SOL  EM  CEMITÉRIOS ?

Por mais estranho que possa parecer, existem no Brasil dois relógios do Sol em cemitério. E todos eles em Minas Gerais. O primeiro se encontra em Belo Horizonte, no Cemitério do Bonfim. Foi construído pelo escultor Eustáquio Pinto a pedido do pai do falecido senhor Fenelon Ribeiro que foi associado nº 201 do Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais, CEAMIG. Não há data de sua construção mas é certo que foi entre os anos de 1980 e 1990. A informação é do astrônomo e membro do CEAMIG, Antonio Campos. O segundo por mim construído em 2006, encontra-se instalado no Cemitério Municipal de Matias Barbosa, MG, no túmulo perpétuo da família Travnik. É do tipo vertical em mármore branco  contendo um Sol radiante. As pessoas que visitam o túmulo constatam que ele marca a hora certa. Pequena diferença fica por conta da chamada ‘equação do tempo’ pois ele marca a hora solar verdadeira.  A fotografia abaixo mostra detalhes do relógio.






Nelson Travnik é astrônomo, diretor do Observatório Astronômico de Piracicaba, SP, e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França. 






ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU


nelson-travnik@hotmail.com


Em Piracicaba/SP, o Observatório Astronômico introduz atividades que estão motivando estudantes a conhecer melhor o planeta em que vivem e as coisas do céu e espaço.

O sucesso do programa “Educação com Descontração” se faz sentir no agendamento das visitas escolares: elas duplicaram esse ano.

O atendimento de forma dinâmica e descontraída, realizado pelo Observatório vinculado à Secretaria Municipal de Educação, é gratuito e estimula crianças e jovens a se interessar pelo estudo de ciências e em particular pela astronomia e astronáutica. A partir dos anos 90, a “chupeta eletrônica” que domina a atual geração, tornou necessária a elaboração de novos projetos educacionais para ir de encontro ao despertar cedo para a pesquisa e investigação. Os modernos meios de comunicação fazem que os jovens muitas vezes estão envoltos em conhecimentos e questões que vão muito além da sala de aula. O mundo passa por mudanças cada vez mais aceleradas e isto faz com que o professor, outrora dono do saber, sinta-se muitas vezes constrangido face as frequentes perguntas que lhe são formuladas. Para amenizar este desconforto e preencher o currículo cada vez mais ‘recheado’ por noções de astronomia e astronáutica, o Observatório realiza anualmente o curso “Metodologia no Ensino da Astronomia e Astronáutica” dirigido aos professores da cidade e região. É uma poderosa ferramenta para capacitar os docentes nessas áreas.  Por outro lado, observa-se nas atividades extraclasse, que a visita a um órgão vinculado a ciência e cultura, tornou observatórios e planetários como um dos alvos preferidos pelas escolas. Isso está comprovado pelos trabalhos apresentados nas Feiras de Ciências.


PENSAR , AGIR , CRIAR  E  INOVAR

Em primeiro lugar nosso planeta, a seguir o Sol e os astros do universo. Tudo é feito com instrumental pedagógico moderno para plena compreensão dos alunos. A questão da elaboração do calendário, do mecanismo das estações do ano, do movimento anual do Sol na esfera celeste, a orientação com a influência da declinação magnética, tudo é explicado através de uma visita aos cinco modelos de relógios do Sol existentes. Dois deles chamam a atenção: um único no País que dispara um canhão quando o Sol atinge o meridiano local e outro que é uma réplica em tamanho grande de um relógio do Sol portátil usado na Idade Média e que se encontra em exposição no Observatório. Também é motivo de inusitado interesse o contato com três exemplares de meteoritos encontrados na Líbia, Patagônia e no Brasil. O mais famoso deles é um pedaço do Bendegó, o maior do País com 5.400 kg encontrado na Bahia e que se encontra em exposição no Museu Nacional do Rio de Janeiro.

Aguardando o disparo do canhão solar



OBSERVANDO  O  ASTRO-REI

Pela sua importância crítica para a humanidade como fonte de luz, calor e vida, outra atividade que desperta inusitado interesse é a observação do Sol realizada de três formas distintas: pelo método direto visual ao telescópio com filtro especial, por projeção e com um instrumento que permite a observação com um filtro centrado na raia do Hidrogênio Alpha, possibilitando observar  protuberâncias fruto de gigantescas explosões,  que podem estar ocorrendo. Tudo ao vivo e com experiências envolvendo a decomposição da luz através de um prisma. Essa atividade está sendo enfatizada devido a celebração do “Ano Internacional da Luz”, promulgado pela ONU-UNESCO.

Sol sem mistérios: observando as protuberâncias solares

RUMO  AO  ESPAÇO
Relembrando  Konstantin Tsiolkovsky (1857-1935), “a Terra é o berço do homem, mas não se pode viver eternamente no berço” o atendimento escolar se encerra com uma palestra onde, ao final, é enfatizado a exploração espacial com a trajetória dos foguetes desde sua origem na China no século XI juntamente com a pólvora, aos dias atuais. A aula a seguir vai para a ampla área externa do Observatório onde é preparado o lançamento de um foguete artesanal segundo projeto da Agência Espacial Brasileira, AEB. Em meio a grande expectativa é iniciada a contagem e feito o disparo do foguete que chega a atingir mais de 100 metros de distância.  Irrompem ruidosas manifestações e aplausos lembrando aquelas vistas nos lançamentos espaciais. Um dos objetivos visados pelo Observatório é incentivar as escolas a participarem da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, OBAA, realizada anualmente e que este ano reuniu mais de um milhão de participantes. É inegável que os grandes feitos espaciais e as descobertas da astronomia contagiam e motivam as pessoas a conhecer melhor o universo. Proliferam clubes estudantis de astronomia no Brasil e em todo mundo. Nas Feiras de Ciências o tema é sempre destaque. Neste cenário, as atividades educacionais do Observatório levaram-no a ser considerado atualmente uma referência no Estado de São Paulo.


SERVIÇO

O Observatório Astronômico de Piracicaba está localizado no km 3 da rodovia Fausto Santomauro que liga Piracicaba a Rio Claro. O agendamento das visitas escolares bem como inscrições para o curso “Metodologia no Ensino da Astronomia e Astronáutica” se faz através do telef. 19-3413-0990. Endereço para correspondência: Secretaria Municipal de Educação – Observatório Astronômico de Piracicaba, Rua Cristiano Cleopath 1902, B. dos Alemães, Piracicaba/SP, 13419-310. Informações e notícias: http://observatoriopiracicaba.blogspot.com.br

Nelson Travnik, é astrônomo, responsável pelo Observatório Astronômico de Piracicaba e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.


sábado, 3 de outubro de 2015

ECLIPSE DA SUPER LUA FRUSTA PIRACICABANOS



Não somente em Piracicaba mas em toda a região as más condições atmosféricas impediram que a fase mais importante do eclipse total da Lua de 23h11 do domingo ás 00h23 de segunda-feira não pudesse ser visualizada. Contudo antes disso a partir das 22h07, em várias ocasiões houve espaços entre as nuvens e o eclipse parcial foi bem observado.

O Observatório Astronômico de Piracicaba, órgão da Secretaria Municipal de Educação, esteve recebendo visitantes já a partir das 18h00 e registrou ao final um público recorde de aprox. 1100  pessoas. Afora aqueles levados por vários visitantes, vários telescópios foram disponibilizados  o que proporcionou a quase ausência de grandes filas junto aos instrumentos. O ponto alto foi a emoção e vibração principalmente dos jovens que estavam vendo o fenômeno pela primeira vez. Receberam informações que aquela sombra arredondada vista na Lua era uma das provas que nosso planeta é uma esfera.

O Observatório aproveitou o evento para a inauguração de mais um instrumento, uma luneta alemã da renomada firma Carl Zeiss de 110 mm de abertura.

Outro evento foi também a inauguração oficial do grupo “Amigos do Observatório Astronômico de Piracicaba” que doravante estará reunindo interessados da cidade e região para estudos e observações com o objetivo de desenvolver trabalhos científicos em diferentes áreas da astronomia. Para tanto o Grupo já conta com alguns telescópios contando com o espaço físico do Observatório.


A característica do eclipse da Super Lua que somente se repetirá em 2033, frustrou a sua não observação mas nem por isso é desanimador pois teremos outro belo eclipse total lunar em 31 de janeiro de 2018. Mas neste ano a atração principal não será o eclipse e sim a grande aproximação do planeta Marte em setembro após a última que aconteceu em 2003 e que levou na noite da máxima aproximação,  mais de 2 mil pessoas ao Observatório.

SECRETARIA  MUNICIPAL  DE  EDUCAÇÃO
OBSERVATÓRIO  ASTRONÔMICO  DE  PIRACICABA
Informação  a  imprensa  -  28 de setembro de 2015


sábado, 26 de setembro de 2015

27/09/2015 PIRACICABA VERÁ ECLIPSE DA SUPER LUA

OBS: PROGRAMAÇÃO PODERÁ SER ALTERADA EM VIRTUDE DO TEMPO


Este será um eclipse com a Super Lua, algo que ocorreu somente cinco vezes no último século e que só se repetirá em 2033. A Super Lua significa que nosso satélite se encontra no perigeu, menor distância à Terra ou, 356.876 km. Quando isso acontece, a Lua se apresenta 14% maior e 30% mais brilhante. Fenômeno terá duração de mais de três horas. Observatório Astronômico montou programação especial a partir das 19h30.


OBSERVAÇÃO
O eclipse poderá ser observado de qualquer ponto da cidade favorecido pela posição alta da Lua no céu, a olho nu e sem necessidade de qualquer proteção. Contudo para uma melhor visão as pessoas devem procurar locais afastados da iluminação urbana. O uso de um binóculo irá realçar a visão da sombra da Terra invadindo as formações lunares a velocidade de 1 km/s. Como a temperatura na superfície lunar nessas ocasiões cai drasticamente de mais a menos 100° C, podem surgir fenômenos luminescentes em algumas áreas mesmo imersas na sombra. Nessas ocasiões podem acontecer também a ocorrência de algum fenômeno transitório conhecido pela sigla TLP. Quando ocorre a totalidade, a Lua não fica invisível pois parte da luz solar é desviada pela atmosfera terrestre e atinge nosso satélite.


LUA   COLORIDA
A coloração assumida pela Lua durante a fase da totalidade, é algo que sempre atrai atenção. É nessa ocasião que os raios solares ao atravessar nossa atmosfera, as envia ao espaço e atingindo nosso satélite assumem uma coloração que vai do vermelho ao laranja e ao amarelo. Ela varia de eclipse para eclipse e, curioso, permite avaliar o grau de poluição da nossa atmosfera. A cor avermelhada ou fortemente alaranjada denota que é grande a quantidade de poeira e gases expelida por queimadas e erupções vulcânicas na atmosfera. Uma tonalidade acinzentada indica que nossa atmosfera está saudável. Como os raios solares passam através da atmosfera se dobram para dentro devido a um fenômeno físico que se denomina refração.


A   MARCHA   DO   ECLIPSE 


Tecnicamente o eclipse começa ás 21h11 e termina ás 02h22 com a fase penumbral onde as pessoas não notam qualquer mudança significativa no brilho da Lua. O grande espetáculo vai ter inicio ás 22h07 quando a sombra terrestre denominada umbra, atingir a superfície lunar. A totalidade, ponto alto do eclipse, começará ás 23h11, o meio do eclipse será ás 23h47 e o fim ás 00h23 já na segunda-feira. Irá durar precisos 01h12. A saída da sombra se dará ás 01h27.


O QUE FAZ UM ECLIPSE LUNAR SER ALGO QUE DESPERTA TANTA ATENÇÃO?
Talvez pelo fato de serem mais comuns, observados em grandes extensões do planeta e isentos de cuidados e preparativos especiais que ocorrem nos eclipses solares. É um evento que oferece excelente oportunidade de ordem educacional onde os alunos aprendem a conhecer inúmeros aspectos do nosso satélite e seus movimentos. O fenômeno oferece outrossim meios para os professores de ciências, física, matemática, biologia, geografia, história e até sociologia efetuarem um trabalho interdisciplinar uma vez que é algo divulgado intensamente nos meios de comunicação. Não só o eclipse, mas a Lua sempre exerceu forte fascínio sobre a humanidade. Muitas lendas, romances, versos, canções, crenças, misticismos, esoterismo, a Lua aquece o sonho dos namorados como é inspiradora da crença em lobisomem, bruxarias e manifestações de loucos. A isso acrescente a “Lua de São Jorge”, “Lua Soberana”, “Lua de Alegria” e “Nobre Porcelana”. A Lua indubitavelmente exerce magia nas pessoas de todas as classes sociais.


NO   OBSERVATÓRIO   ASTRONÔMICO
A programação terá inicio ás 19h30 com projeção de vídeo e palestra de como observar e fotografar. Uma publicação especial estará à disposição dos interessados. A partir do inicio do eclipse ás 22h07, estarão em ação seis telescópios do Observatório e vários outros do grupo “Amigos do Observatório Astronômico de Piracicaba”. Eles também estarão a postos fornecendo informações para os interessados. Como o local é amplo e oferece excelente visão, aqueles que possuírem binóculo ou telescópio  poderão instalar na área do Observatório.


SERVIÇO
Observatório Astronômico de Piracicaba, km 3 da rodovia Fausto Santomauro que liga Piracicaba a Rio Claro. Entrada grátis. Não será necessário agendamento. A programação se encerrará ás 01h27. Caso ocorram chuvas, a programação será cancelada.  

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

CURSO: INTRODUÇÃO A ASTRONOMIA

Dia 12/09/2015 : Inicio do curso "Introdução a Astronomia". Inscrições : a partir das 15h30 no Observatório. 40 vagas, gratuito, 5 aulas sempre aos sábados das 17h00 ás 19h00. Certificado de Participação para quem desejar. Não estão valendo inscrições agendadas devido a desistência de muitos prejudicando aqueles que desejam fazer o curso. Inscrições só pessoalmente antes da 1ª aula dia 12. O curso será ministrado por Nelson Travnik. Idade mínima para fazer o curso : 14 anos.